A vontade de mudar tem que partir de cada um de nós. Mas como reencontrar o caminho de uma vida mais saudável?
Que tal começar com alguns alimentos baratos, fáceis de encontrar? A pedido do Globo Repórter, uma das principais universidade do país fez a lista dos sete alimentos mais importantes na prevenção de doenças.
Foi muito trabalho extra nos finais de semana, mas a recompensa veio logo. O médico Renato Romani, coordenador da pesquisa, comprovou na prática o efeito poderoso de um alimento funcional, para espanto de muita gente.
"Eu duvidava! Na verdade, era uma pesquisa. Colaboramos com a pesquisa e deu certo! Tanto que hoje em dia eu falo para todo mundo comer aveia se estiver com o colesterol alto porque funciona”, comemora a secretária Rosana Afonso.
Rosana comeu aveia todos os dias durante um mês. E, sem mudar mais nada na rotina, conseguiu baixar 38 pontos na taxa do mau colesterol. A experiência foi compartilhada por mais de 120 pessoas que participaram da pesquisa do Centro de Medicina de Atividade Física do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Em Riacho Grande, um bairro da cidade de São Bernardo do Campo, moram 4,5 mil pessoas. Jeitinho de cidade do interior, mas cara de metrópole quando se trata da saúde da população: 12% estavam com o colesterol alto quando o médico decidiu fazer o estudo.
"Associando colesterol alto com pressão alta e obesidade, o risco de o coração falhar ou de ter um problema cardíaco é muito grande", explica Renato Romanai.
Para ser eficiente, a aveia tem que ser consumida todos os dias. E basta o equivalente a meio copo. Pode ser no leite, na sopa, misturada a qualquer alimento. E como dona Helena, o filho dela, o chaveiro Ademacir Aparecido de Melo, também não foi persistente. Ele esqueceu a aveia assim que a pesquisa acabou. Resultado: colesterol nas alturas e risco cardíaco tratado com remédio de farmácia.
"Comprei 90 cápsulas e paguei R$ 28. A caixa da aveia está R$ 1,50 com 400 gramas. Já estou pensando em comer aveia", diz Ademacir.
Hoje em dia, saúde é muito mais uma questão de disciplina do que de falta de informação. As pesquisas estão aí para comprovar. No caso de Riacho Grande, a aveia baixou o colesterol em 75% dos participantes da pesquisa.
"Isso é excelente! Imaginar que a aveia é um alimento, não é uma medicação, e que ela faz parte de um grupo de alimentos considerados funcionais – ou seja, podem fazer parte da dieta sem maiores preocupações – e ainda conseguir melhorar o seu colesterol é um resultado impressionante", avalia Renato Romani.
Alimento funcional era um conceito restrito aos laboratórios até bem pouco tempo. Mas de dez anos para cá, milhares de estudos saíram das universidades e quase sempre eles dizem que olhar para trás pode ser o caminho a seguir.
"A gente precisa resgatar aqueles alimentos que no passado já se conhecia como bons alimentos. Arroz, feijão e aveia, por exemplo", afirma Gláucia Pastore, cientista de alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp).
Nesse resgate do que é bom, a pesquisadora-chefe elaborou uma lista de alimentos que são naturalmente remédios: soja, aveia, peixe, brócolis, alho, castanhas e açaí. Além desses, existem dezenas de alimentos funcionais, é claro. Mas a lista da Unicamp destaca os sete mais poderosos de tudo o que foi pesquisado até agora.
"Eles vão tornar as pessoas mais capazes de resistir aos diversos tipos de problema, ter uma vida mais saudável, estar mais produtivas e envelhecer menos rapidamente", diz Gláucia Pastore.
Para garantir o bom colesterol, nada melhor do que comer peixe de duas a três vezes por semana e, de preferência, sardinha ou salmão.
Para baixar o mau colesterol, meio copo por dia de aveia, como dito na pesquisa feita em São Bernardo do Campo.
Leite, queijo e carne, sendo de soja, dá para comer à vontade, sem culpa, porque fazem bem.
Minerais importantes, como selênio e zinco, são garantidos com pequenas porções de castanhas ou nozes.
Junto com repolhos e couves, o brócolis lidera o trabalho de limpeza das toxinas em nosso organismo.
O açaí, frutinha típica da Região Norte, tem até dez vezes mais antioxidantes do que outras frutas.
Mas a lista tem um item um tanto "polêmico" ao paladar.
"Acho que o alho é um legado das gerações passadas que a gente precisa prestar ainda mais atenção. Ele é antiinflamatório, pela sua composição, e também um normalizador da pressão arterial", explica Gláucia Pastore.
E quanto mais cru melhor para a nossa saúde. Que aventura! Gostando ou não, tem um jeitinho para começar.
Uma hora no forno, e o alho bem assado até fica com um gostinho adocicado. Na panela, a dica é apenas dourar. Se deixar torrar, fica muito amargo. E, por último, um conselho que vem junto com a lista dos poderosos funcionais.
"O alimento funcional tem que estar presente com constância na dieta. Não é o tipo de alimento que você ingere hoje e amanhã esquece e espera que os resultados aconteçam", alerta Gláucia Pastore.
Uma turma de compositores sai pelos hospitais de SP criando música para crianças. E que músicas...
BRUNA FIORETI (jornal da tarde - 13 fevereiro de 2008)
O menino Vinícius, 4 anos, gosta de jogar bola com os amigos mas, quando está em casa, sua diversão é ver Power Rangers e Pica-Pau. Se a mãe o chama para o almoço, não faz feio: come tomate, fritas e frango com arroz e feijão. Cinco músicos de São Paulo viram poesia em tudo o que cerca o garoto e fizeram de seus hábitos uma canção. Vinícius, que se recupera de um câncer, nem lembra que está em tratamento: canta e dança sempre que ouve o CD que o grupo Songs Of Love fez com uma letra que fala só dele.
Nos seis meses em que o Songs of Love funciona no Brasil, quase 80 crianças em recuperação ganharam um álbum com seu nome e uma música mais do que personalizada. Tudo começa quando os integrantes do Songs ajudam os pequenos a preencher uma ficha contando as coisas de que mais gostam e o nome dos amigos. Desse material é extraído o que houver de mais bem humorado e os profissionais dão melodia e letra inspirada para cada um.
À frente do Songs há dois meses, Guillermo Moane, 38 anos, e Cristiano Borges, 29, se dedicam a tirar sorrisos com canções. Por isso, qualquer referência aos males físicos nas músicas está descartada. “Não falamos em cura, recuperação, nada que remeta aos problemas”, explica Moane. “A intenção é levar só alegria para elas.” Quando chegam com mais um CD em punho à Casa Hope, na Capital, as crianças se reúnem e fazem a festa. São elas as primeiras a ganhar as composições do Songs Of Love. “A criançada brinca, dança, canta. O lugar fica parecendo qualquer coisa, menos hospital”, fala Borges.
Geovanna, 8 anos, corre para o abraço quando avista Cristiano Borges, o compositor da música que ela sabe de cor. A empolgação é tanta que a garota até deixa a boneca de lado para ouvir o CD de outros dois colegas, entregues na semana passada. Sua mãe, Sara Rubia Ciniaki, conta que a música ajudou a filha a conviver melhor com a doença. “Depois de ganhar o CD, ela começou a se achar uma rainha, com mais auto-estima.” Para Sara, com essa espécie de ode à filha, fica mais fácil aceitar o fato de que a luta contra o câncer da menina consumirá vários anos, vividos longe da família, que mora em outro Estado.
Songs Of Love, dizem seus criadores, não tem nome em inglês para fazer bonito. O grupo de voluntários começou nos Estados Unidos, mais especificamente em Nova York, onde vive o músico brasileiro John Beltzer. Depois de perder o irmão gêmeo, há mais de 15 anos, Beltzer passou a escrever músicas personalizadas para crianças que padeciam de alguma enfermidade. Ele criava a canção, gravava em CD, timbrava o nome da criança e fazia a entrega. A fundação cresceu e, hoje, mais de 350 norte-americanos trabalham ali.
A corrente do bem chegou ao Brasil pela voz da cantora Vanessa Falabella, 36 anos. Quando morava em Nova York, viu o que estava sendo feito e resolveu espalhar a novidade. Alguns anos se passaram até o acaso juntar o grupo de cinco pessoas, que abraçou o projeto de vez. Guillermo, Cristiano e Vanessa contaram com o conhecimento e a vontade de Agenor Delorenzi, 27 anos, e Marcelo Lima, 40, para fazer um som e um projeto profissionais.
A melhor música
“Não damos espaço para o amadorismo”, diz Moane. “As crianças merecem receber a canção com o melhor acabamento possível.” O produto final vem no ritmo que o “freguês” definir. A maioria opta por axé, pagode, funk ou outro ritmo animado. “Até música imitando a banda Calypso já fizemos e ficou legal”, diverte-se Vanessa.
Antes de chegar às mãozinhas dos inspiradores, o CD ganha tratamento de primeira. O grupo se debruça sobre as fichas para compor, escolhe quem vai cantar, define os instrumentos e ainda passa cerca de 4 ou 5 horas no acabamento, feito por computador. A esperança é de que apareçam patrocinadores que ajudem a viabilizar mais e mais CDs. “Por enquanto, ainda damos conta dos pedidos. Mas a nossa meta é chegar a produzir uma música por dia”, conta Moane.
Por hora, eles têm se contentado com a recompensa de ver a alegria das crianças. Muitas decoram o refrão da música logo de cara. Algumas vezes, o destino impede que o presente chegue. “Já houve dois casos em que fizemos a música e a criança não chegou a receber”, diz Vanessa, com lágrima nos olhos. “Quando isso acontece, a canção se torna consolo para a família.”
A música também ajuda a superar a saudade da vida sã. Dênis Leonardo Portela, 18 anos, recebeu seu CD e escutou até cansar. “É bom ter alguém que escreveu aquela música só para você”, explica o adolescente, que espera a recuperação completa para voltar a Manaus, onde mora a família. A música de Dênis, no estilo gospel, é cheia de referências aos amigos e até ao céu da capital amazonense. Enquanto o tratamento não termina, ele conta por que as “músicas de amor” fazem mesmo efeito: “Ouço a minha canção e as outras de que gosto o dia inteiro. Isso ajuda bastante a espantar a tristeza”.
O idealizador do projeto nasceu no Brasil: o produtor musical John Beltzer, radicado em Nova York. Cumpre a missão de sua vida: fazer crianças sorrirem. É o que chama de medicina da música.
Não espere nada de tradicional quando o responsável pela coreografia é o japonês Saburo Teshigawara, que aparece à direita na imagem acima, ao lado do bailarino Rihoto Sato. (...) Teshigawara até acha graça em manifestações ancestrais de seu país, como a dança nô, mas o negócio dele é dominar o movimento e, por meio disso, promover a harmonia entre música e espaço. Tanto desapego à tradição fez com que sua arte encontrasse mais espaço na Europa, onde é cultuado como um dos papas da dança moderna. Quando pedem a ele que defina seu trabalho, ele dá declarações como esta: "Dança é uma escultura feita de ar, espaço e tempo. Eu danço para fazer o tempo sumir, eu danço para criar o tempo".
Para-Dice é o trabalho do japonês Saburo Teshigawara que mostra todo seu conhecimento do movimento através da continuidade da pesquisa dinâmica entre a extrema velocidade de suas criações mais conhecidas e a absoluta imobilidade de suas mais recentes coreografias. O Título Para-Dice faz um trocadilho, entre as palavras em inglês Paradise (paraíso) e Dice (dados), num jogo de ilusões que nos remete à própria definição da arte da dança segundo Teshigawara: “Dança é uma escultura feita de ar, espaço e tempo. Eu danço para fazer o tempo sumir, eu danço para criar o tempo”.
SABURO TESHIGAWARA Nascido em Tókio fundou em 1985 a Companhia de dança Karas com Kei Miyata, onde se apresentou por diversos países europeus e também em Nova York e Montreal. Em paralelo a este trabalho, foi convidado por outras companhias e coreógrafos como William Forsythe onde criou “White Clouds Under the Heels Part I & II“ para o Ballet de Frankfurt.
Em 1996, criou “I was Real - Documents“ para o Festival Mundial de Artes de Bruxelas Em “Absolute Zero“, apresentado em 1998 em Tokyo, lançou seu conceito de imobilidade absoluta. Em 1999, criou “Night Songs“, solo para Kei Miyata, e “Sagração da Primavera“ para o Ballet da Baviera. Em 2000, foi convidado por Jiri Kylian para o Netherlands Dans Theater I.
Em "Para-Dice" ("Para-Dados", trocadilho com "Paradise"/ "Paraíso"), criada pelo japonês Saburo Teshigawara em 2002, a beleza e fragilidade da existência, diante das ondas invisíveis de energia, serão gradualmente quebradas. Os movimentos se tornam mais soltos e ao mesmo tempo mais articulados. A peça começa com uma fila de corpos no fundo, alternando homens e mulheres respectivamente de preto e amarelo, riscando o espaço. Partindo daí, a dança começa a se repuxar, em ondas no chão e no ar. Da quase imobilidade ao extremo movimento, Teshigawara leva os corpos a seus limites.
A música, do alemão Willi Bopp, combina harmonias frias da música eletrônica com sons diversos, de outras fontes. A luz vai do mais escuro ao mais brilhante, criando um mundo de névoas, sem pontos de apoio firmes. Teshigawara lida com a qualidade do gesto no espaço, buscando uma ultraconsciência dos sentidos.
Os músicos Artur Andrés, Décio Ramos e Paulo Santos
Uakti "O nome pode soar estrangeiro, mas é brasileiríssimo. Deriva de uma lenda indígena que não cabe contar aqui. Uma dica: o último disco se chama OIAPOK XUI, estilizado assim, e muito abrangente, tanto quanto a extensão longitudinal do nosso território. É produção musical das melhores feitas no Brasil.
Visitem o sitewww.uakti.com.br, ouçam um pouco de início, que depois de despertada a sensibilidade dá vontade de mais, procurem nas fontes disponíveis, comprem discos, descolem com amigos.
Os integrantes, originários de Minas Gerais mas hoje já do Brasil e do mundo, são Marco Antônio Guimarães, Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos e vêm da árvore musicológica do compositor e maestro Walter Smetak, pioneiro na confecção de instrumentos pouco convencionais, que foi professor da Escola de Música da UFBA (Universidade Federal da Bahia), na qual se formaram gênios como Tom Zé.
Outro gênio fruto dessa raiz, embora menos conhecido do grande público -se é que Tom Zé é conhecido por tanta gente quanto mereceria- é Marco Antônio, o arranjador e compositor principal do grupo Uakti. Pra quem assistiu mas não prestou atenção nos créditos, a trilha sonora original do filme Lavoura Arcaica foi composta por ele.
Fora esses detalhes, o que vale mesmo é o som em si. Os músicos, além de executarem as composições, fabricam os instrumentos que usam, o que não é muito comum. Aliás, comum mesmo é a música pop, sem sal, sem sabor nenhum e presa -nas palavras de Tom Zé, mais uma vez ele- ao metrorritmo quatro por quatro. A que eles fazem é muito diferente disso. E o legal é que além de a música ser muito original, os instrumentos, da forma à emanação sonora, também são singulares.
Uakti é diferente de outras manifestações instrumentais. A raiz dos caras é a música erudita, mas eles "entortam" as músicas com uma delicadeza muito tocante. Recriam Tom Jobim, Milton Nascimento, Phillip Glass, Debussy, além de resgatar ritmos e manifestações musicais dos "brasis interiores" (essa brasa que conhecemos pouco), com percussão intensa.
Na página oficial deles, à qual sugeri visita e reitero a sugestão, Uakti, é possível apreciar vários dos instrumentos, e até "tocar" alguns deles. São xilofones de vidro, tubos de pvc conectados e amplificados por processos mágicos, além de vários outros instrumentos que de tão exóticos são indescritíveis. O trabalho gráfico do site é impecável, do design às fotografias. A qualidade do áudio disponível é ótima também.
Usei a definição grupo, mas na verdade eles se autodefinem como uma Oficina Instrumental. É um nome apropriado, já que cuidam do processo dos instrumentos desde a feitura até a extração musical.
Pra deixar toda essa redundância descritiva de lado, a solução é ouvir a música.
Daquilo que eu sei Nem tudo me deu clareza Nem tudo foi permitido Nem tudo me deu certeza Daquilo que eu sei Nem tudo foi proibido Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido Não fechei os olhos Não tapei os ouvidos Cheirei, toquei, provei Ah! Eu usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos E‚ por isso que eu me sinto cada vez mais limpo Cada vez mais limpo Cada vez mais. . .
Som Brasil: 2007 Algumas frases marcantes deste grande músico brasileiro
E VEJA TAMBÉM: Novo Tempo - Ivan Lins / Vitor Martins
Brincar é uma oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança desenvolve elementos responsáveis pela formação da sua personalidade, descobre o mundo, aprende, experimenta possibilidades, organiza emoções, processa informações, testa relações sociais e constrói sua autonomia de ação. brinquedos são indispensáveis para qualquer criança, ainda mais para as que têm limitações físicas, sensoriais ou mentais - porque requerem mais estímulos para desenvolver-se. Apesar disso, o brinquedo da criança com deficiência não precisa ser diferente dos outros.
"Ele precisa estar adeqüado ao seu nível de desenvolvimento motor e cognitivo", explica a pedagoga Nylse Cunha, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas. "Os brinquedos não são especiais, mas a seleção deles é." Um dos fatores a ser considerado ao escolher é a idade cronológica das crianças. A idade sugerida para o uso do brinquedo, normalmente impressa nas embalagens, nem sempre condiz com suas necessidades. Um jogo de tabuleiro para crianças de 7 anos, sem deficiência, pode ser utilizado por uma que apresente deficiência mental e seja mais velha quando ela se encontra com um nível de desenvolvimento mais elevado.
Já para a criança com deficiência física o foco é a capacidade de manipulação dos objetos. Pode ser necessário adeqüar o espaço físico, assim como os próprios brinquedos. Algumas têm dificuldades para segurar objetos. "Para estas, é melhor dar brinquedos grandes. Pode ser um jogo de encaixes (como um Lego), desde que as peças sejam maiores. Elas podem ser facilmente manuseadas por uma criança com dificuldade motora", diz a terapeuta ocupacional Sandra Regina Pacini, que trabalha com crianças com deficiência física no Lar Escola São Francisco, em São Paulo.
Normalmente, pela maturidade cerebral, a criança apresenta habilidades motoras íntegras e com isso tem iniciativa de ir até o brinquedo e explorá-lo de diversas maneiras. As que têm deficiência muitas vezes não agem dessa forma. É necessário que o universo das brincadeiras seja levado até ela, ajudá-la a explorar o brinquedo. "A participação dos pais é fundamental", afirma a terapeuta ocupacional da Associação de Amigos do Autista (AMA), Fernanda Pontes Furusawa.
Bolinhas mágicas. Brinquedos de causa e efeito. Despertam a atenção da criança para os diversos tipos de sons e movimentos
Caixa de formas. Trabalha o desenvolvimento cognitivo através do encaixe simples e complexo das peças com tentativas e erros proporciona noção de dentro e fora
Segundo Fernanda, os brinquedos de causa e efeito - aqueles que produzem sons ou se movimentam quando são tocados (ex: Pula pirata, o Pula macaco, o Puxa batatinha) são os mais solicitados por autistas. "Para elas, pular é inesperado, por isso sua atenção é despertada. Diferentemente de outras crianças, a que tem autismo não passa pela fase exploratória de pegar um brinquedo e levá-lo até a boca para descobrir mais sobre ele", explica a terapeuta, que na AMA ensina a elas como brincar com os brinquedos e orienta os pais para que façam o mesmo, em casa.
Casinha com vários objetos dentro ensina a criança a identificar os objetos que podem ser encontrados em uma casa
Pula pirata
Paula de Oliveira Guimarães, mãe de Lucas, de 11 anos, nunca deixou de reservar algumas horas para, brincando, ensinar o filho a diferenciar e ter noção de certas coisas. Quando tinha 6 anos de idade, o menino foi diagnosticado como autista. Desde os 2 anos, a mãe percebeu que o seu comportamento era diferente em relação ao de outras crianças da mesma idade. "Lucas não atendia quando eu o chamava e demorou mais para falar", conta. Preocupada em ajudar o filho, Paula passou a desenvolver brinquedos educativos para ele. "Fazia roupinhas de boneca para dar a ele noção de inverno e de verão. Também montava painéis de tecido com paisagens de lugares comuns e criava objetos que poderiam ser encontrados neles. Dessa maneira, Lucas foi aprendendo muitas coisas."
Pula macaco, brinquedo de causa e efeito que ajudam no desenvolvimento cognitivo. Ensinam a criança a ter paciência e a saber esperar a sua vez de jogar
Colméia alfabética, um dos objetivos é fazer com que a criança encontre a letra escrita na frente de cada compartimento da colméia e a relacione com os nomes dos objetos e brinquedos que estão dentro de cada compartimento
Crianças com autismo moderado possuem um nível de compreensão melhor que o de outras com autismo. Se interessam mais por jogos de raciocínio e regras, como dama e baralho. Entretanto, muitas aprendem a respeitar as regras de um jogo depois de estarem familiarizadas com ele. A partir daí, elas já sabem esperar a sua vez de jogar, perder ou ganhar.
Dominó, jogo tradicional adaptado para crianças cegas poderem jogar. Possui texturas variadas e cores contrastantes, com peças e palavras ampliadas e em braile. Permite a brincadeira em grupos de crianças com e sem deficiência visual
Móbile, desperta a vontade da criança de movimentar-se. Ajuda a compreender e identificar os sons, conhecer e entender o corpo e o ambiente, e a reconhecer os objetos
Crianças cegas também aprendem muito com os brinquedos. Por não terem a visão, todos os outros sentidos - tato, olfato, audição e paladar - devem ser mais estimulados. "Essas criancas precisam ter acesso a um maior número de objetos do ambiente", explica a pedagoga e psicóloga da Laramara - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, Marisa Siqueira Campos.
Alphaimã, representa uma cela braile com a qual é possível forma letras. Proporciona o aprendizado das letras do alfabeto comum e do braile. Desenvolve o processo de alfabetização. Além disso, ajuda a criança a adquirir noções básicas de forma, textura, grandeza, peso e consistência
Na associação, podem ser encontrados diversos tipos de brinquedos coloridos, com contrates, formas e texturas diferentes. Muitos são adaptações de brinquedos tradicionais, como o Jogo da Velha, Dama e Dominó. Outros são voltados para crianças cegas com o objetivo de familiarizá-las com o código braille, como o Alphaimã e o Toque de Letra. "Além de proporcionarem o aprendizado, os brinquedos dão autonomia e facilitam a inclusão, pois todas as crianças podem brincar juntas."
Brincadeira é coisa séria. O direito de brincar está previsto na Declaração dos Direitos da Criança, ao lado de itens como atendimento das necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação e educação. A capacidade de brincar é, em todos os sentidos, um indicador de desenvolvimento.
Quase Líquido Exposição alerta para o meio ambiente
A instalação de 20 garrafas PET gigantes nas margens do Tietê, de Eduardo Srur, e vídeo de Zezão sobre os grafites que realiza nos esgotos da cidade de São Paulo, estão entre as 22 obras de 14 artistas da mostra Quase Líquido, que trata da exclusão social, da sujeira dos rios e córregos, da solidão e insegurança, da banalização dos indivíduos e da efemeridade das relações na sociedade brasileira, ainda em busca de seu posto na modernidade. Uma das obras emblemáticas da exposição é a instalação panfletária de Eduardo Srur, um dos selecionados na última edição do programa Rumos Artes Visuais (edição 2005/2006). O artista criou garrafas PET gigantes que estão expostas nas margens do Rio Tietê. As 20 PETs, que também serão exibidas em vídeo dentro do Itaú Cultural, ocupam uma extensão de aproximadamente 1,5 quilômetro nas duas margens do rio Tietê, entre as pontes do Limão e da Casa Verde. As garrafas são coloridas e têm 10m de comprimento por 3m de diâmetro. Além de provocar 1,5 milhão de pessoas que passam pela Marginal todos os dias, a instalação pode ser vista de perto, em excursões pelo rio - em parceria do Itaú Cultural com o Navega São Paulo, cuja embarcação De Olho no Tietê tem patrocínio do Banco Itaú. Posteriormente, as garrafas serão transformadas em mochilas, a serem distribuídas gratuitamente para as escolas públicas que visitarão a obra. Para Eduardo Srur, que anteriormente havia ocupado o rio Pinheiros com caiaques para chamar a atenção sobre esse nosso rio também morto, a ocupação do espaço urbano com obras de arte faz as pessoas perceberem aquilo que parece invisível no cotidiano. “Instalar garrafas gigantes em um dos rios mais poluídos do mundo é uma forma de convocar todos para o problema e nos tirar da posição de irresponsabilidade. É uma provocação política“, diz o artista. O trabalho de Srur evoca a discussão que permeia toda exposição. “Vivemos essa contradição permanente do ultra moderno e da incapacidade de resolver problemas básicos, o que nos coloca como uma sociedade que não alcançou integralmente a modernidade”, diz Cauê Alves. Para costurar o conceito de Quase Líquido, ele se contrapõe ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, para quem a atualidade é caracterizada pela modernidade líquida. “No Brasil vivemos um estagio híbrido. Vivemos uma era quase líquida, uma modernidade contraditória que não engata e que só a duras penas se realiza”, diz Alves. “Basta olhar para o Tietê para identificar parte do mundo contemporâneo e do nosso atraso. O Tietê é um símbolo do nosso estágio de modernização”. Serviço: Quase Líquido. Visitas Agendadas para Quase Líquido e H2Olhos. Grupos de10 a 44 pessoas. Duração aproximada 90 minutos. De terça a sexta-feira (manhã, tarde, e noite em diversos horários). Sábado (manhã e tarde). Visitas Espontâneas com grupos de até 22 pessoas. Rio Tietê (visita à obra PETs, de Eduardo Srur). Visitas agendadas somente pelo Navega SP pelo telefone 5094-4480 (de segunda-feira a sexta-feira, das 8h30 às 17h30).
"Este é o segmento 1 do documentário de minha autoria "Eu Tenho Um Sonho" ("I Have a Dream"), feito para exibição aos alunos de uma escola pública do ensino fundamental. Este vídeo fez parte de um projeto sobre cidadania e direitos humanos que minha esposa, professora de história, apresentou aos seus alunos de quinta a oitava série. O segmento é breve e apresenta um poema do genial poeta português Fernando Pessoa. Espero que vocês gostem! Este vídeo trata de temas humanitários e não tem nenhum propósito comercial, apenas educacional". http://tigredefogo.wordpress.com